sexta-feira, 19 de outubro de 2007


A Borboleta

Jardins suspensos da Babilônia: lá eu estava, flutuando entre jasmins e ordálias. O cheiro das flores borbulhava em todos os meus sentidos. O verde das folhas refletia minha emoção. Os raios da lua sugavam toda a melancolia. A brisa trazia a paz.

Dentre todo o colorido, percebi um ponto negro. Era uma tulipa só e única, contrastando com toda aquela alegria com sua dor. Ela estava se despetalando, murchando de solidão. Não havia outra tulipa negra como ela.

Num vôo, integrei-me a ela com um beijo, e suguei-lhe o mel da vida. Extasiada com tanto sabor tombei ao seu lado e seu néctar escorreu sobre o meu corpo. Estremeci. Senti o vermelho do meu sangue pulsando mais rápido, descompassadamente e um calor me envolveu, percorrendo minha pele. Num frenesi, agarrei-me ao seu caule, tentando me levantar para alcançar-lhe a boca cheia de vida.

E, naquele momento mágico, choveu... A água escorria do meu corpo para suas folhas como se fôssemos um só ser.

E naquele instante soberano, fez-me sentir todo o esplendor da eternidade.

Desirée




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