terça-feira, 18 de setembro de 2007



Só um amor

Um amor só nosso,
Longe dos olhares, dos comentários, das pessoas.
Uma ilha deserta, um ninho.
Aonde ninguém chega,
Só nós dois em nosso mundo próprio.
Um mundo de ilusões e sonhos,
De viagens pelas asas da imaginação,
Um vôo no escuro dos teus olhos.
Um amor solitário, secreto.
Cúmplices de um crime perfeito;
Um amor de fuga,
Ao mesmo tempo irreal e verdadeiro.
Um amor sem compromisso,
Livre de amarras e explicações.
Apenas sentimento e sensação.

Desirée11/11/2006

sábado, 15 de setembro de 2007


A Liberdade de Escolha

O “não” faz parte da graça da vida.
Se o paraíso fosse a felicidade, meninos ricos e amados não se drogaria, não matariam, não chorariam.
A soberba de acharmos que sabemos qual é o certo e qual é o errado, é o que nos faz sofrer e nos torna burros.
Tudo tem dois lados que tem dois lados e assim por diante...
Há estradas que nos deixam tristes, outras nos dão a ilusão da felicidade e outras nos deixam verdadeiramente felizes e leves. Temos o direito de escolher por qual queremos ir, pois todas são válidas. E a mesma estrada pode ter vários significados diferentes para pessoas diferentes.

Desirée 10/11/2006

sexta-feira, 14 de setembro de 2007



Ficar sem você

Ficar sem você é como se ferir no espinho das rosas
Ao mesmo tempo em que a dor é grande,
As lembranças são suaves e lindas

Ficar sem você é como pular de um penhasco
A morte é certa
Mas a lembrança traz o sabor do vôo

Ficar sem você é como cortar os pulsos e beber o próprio sangue
A dor do corte e o sabor amargo da solidão
E a recordação de que você está dentro de mim

Ficar sem você é como se afogar no mar
Sufoca o não estar contigo
Mas há vida no meu amor por você.

É lindo ter você comigo
No meu coração, no meu sangue, na minha vida,
Você não está mais presente,
Mas não saiu de mim.

Desirée
06/09/2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007



O Seguidor

Eu estava andando em São Paulo, quando um rapaz me abordou perguntando onde ficava a Rua São Bento. Enquanto eu explicava, olhei em direção a rua e quando voltei, ele havia sumido. Procurei por todos os lados e nem sinal dele. Eu estava sobre a Ponte Santa Efigênia e na tinha nenhuma porta próxima para que ele pudesse entrar. Como teria desaparecido tão rápido? Era domingo e não havia multidão na rua. Como ele fizera aquilo?
Continuei andando. Fui para o Vale do Anhangabaú, quando alguém bateu no meu ombro, virei-me e qual não foi a minha surpresa quando vi o rapaz que me perguntara da Rua são Bento.
- Você? Achou a Rua São Bento?
- Sim, achei. Onde fica a Rua São João?
Virei-me para indicar-lhe a direção e, ele fez aquilo de novo: sumiu. Comecei a ficar intrigada. Como ele poderia ter sumido no meio do Vale do Anhangabaú, praticamente em segundos.
Achei melhor dar o fora dali, antes que ele aparecesse de novo.
Peguei o metro para a Praça da Sé. Dirigi-m para a Catedral, entrei, sentei-me num banco e fiz uma oração. Olhei toda a igreja admirando sua grandiosidade. Surpresa! No banco detrás do meu estava aquele moço, apoiado, rezando um terço já pela metade. Como ele conseguia fazer aquilo? Aparecia e desaparecia como num passe de mágica. Não o interrompi em suas orações, apesar da grande curiosidade que sentia. Resolvi ir embora dali.
Quando cheguei a porta, virei-me para fazer o sinal da cruz e percebi que o rapaz já não estava mais dentro da igreja. Olhei para todos os lados e, de repente, ao meu lado, vi uma figura de anjo na parede. Era ele.

Desirée set/1988

domingo, 9 de setembro de 2007



Homenagem

Você veio para mudar nossas vidas
Alimentar nossas almas
Reviver nossos corpos

Aqueles que, pareciam estar mortos
Sem movimento
Sem pulso
A ponto de esquecermos suas existências

Você mostrou que eles estão aí
Para serem cuidados
Para serem tratados
Com muito carinho

Tudo isso sem esquecer que somos um todo
Corpo e alma
Uma só pessoa
Pessoa única
Cada uma de nós

Agora percebemos
Cada pulso
Cada músculo
Mesmo que cor dor

Percebemos nossas limitações
E como é infinitamente possível
Transpô-las a cada dia
Com força de vontade

Descobrimos uma força
Que não sabíamos que tínhamos
Para superar obstáculos

Você nos ensinou
A força de um sorriso
E o poder de nossas mentes.


Desirée 2001

terça-feira, 4 de setembro de 2007



Felicidade??

Quando dei por mim estava num trem que ia em direção a felicidade. O trem estava lotado.
Em cada estação que parava, milhares de pessoas tentavam, com todas as suas forças, entrar no trem. Milhares não conseguiam; choravam, gritavam, mas tinham que esperar outro trem.
A cada minuto passado, a cada metro atingido, mais agonizados ficávamos.
Éramos pessoas de todas as idades, desde os não-nascidos até os velhos de mais de cem anos.
O trem ia vagarosamente, fazendo com que todos sofressem mais e mais.
O medo pairava no ar. Junto dele a agonia, ansiedade, tristeza, alegria, enfim, todos os sentimentos possíveis de um ser humano sentir.
Muitos tentavam sair pelas janelas quebradas pelo desespero, em vão.
Víamos trens vazios voltando para buscar outras pessoas.
O tempo dirigia muito bem o trem, mas vagarosamente demais; ou depressa demais.
A felicidade, para uns, estava demorando demais, para outros, chegando muito depressa.
Novas estações, novas tentativas, novos gritos, novos choros.
Alguns, como eu, estavam paralisados, calmos por fora, agitados por dentro, apenas olhando tudo e deixando o tempo dirigir o trem como quisesse.
O trem, de repente, tomou uma velocidade incrível, mais rápido que qualquer coisa conhecida.
Quanto mais corria, com mais medo todos ficavam.
Todos sabiam que dali para frente não havia mais nenhuma estação. Só existia o ponto final, a felicidade.
O trem adquiria mais e mais velocidade.
Até que, de repente, bummm...!!

Naquele local só se viu o trem partindo em busca de novas pessoas, e, viu-se também, corpos humanos estraçalhados no chão.

Desirée por volta de 1981